Resenha de Elvira, filha de Isaura do escritor Will Moret
Resenha: Elvira, Filha de Isaura - A Descendência de uma Luta.
Por: Will Moret
"Elvira, Filha de Isaura" é um romance que se propõe a revisitar e dar continuidade ao universo criado por Bernardo Guimarães em seu clássico abolicionista, A Escrava Isaura, publicado em 1875. A história transporta o leitor para o Brasil de 1880, exatos 46 anos após a protagonista original, Isaura, ter conquistado a liberdade.
A obra se concentra na geração seguinte, na figura de sua filha caçula, a Sra. Elvira.
A Nova Heroína: Empreendedora e Ativista.
O livro apresenta Elvira como o "modelo perfeito de mulher moderna". Ela é uma figura fascinante e determinada, com "belos olhos verdes, pele alva, cabelos castanhos e ondulados", mas cuja beleza nunca a envaideceu.
Diferentemente da mãe, que lutou pela liberdade individual, Elvira está na linha de frente dos movimentos sociais.
Com "30 e poucos anos", a protagonista é uma feminista por natureza e uma ativista incansável na causa abolicionista, organizando eventos para arrecadar fundos para a libertação de cativos. Em 1880, ano da Lei Saraiva, Elvira também lidera a luta pelo direito ao voto feminino, desafiando a estrutura eleitoral da época.
Um dos aspectos mais notáveis da personagem é seu pioneirismo no mercado de trabalho. Elvira é descrita como a primeira mulher a se tornar empresária no Brasil, abrindo uma fábrica e lojas de tecelagem, vestuário e chapéus na Corte, empregando mulheres e conscientizando sobre a importância da mulher no mercado. Sua dedicação à política, no entanto, é o que realmente faz sentido para sua vida.
Conflitos Pessoais e a Herança do Passado
O romance explora os conflitos internos de Elvira.
Embora sua personalidade guerreira e "quase indomável" seja um reflexo de suas origens, ela não consegue lidar bem com a fama da mãe, Dona Isaura, cuja história foi transformada em um popular romance traduzido para cinco idiomas. Elvira confessa a dificuldade de conviver com o fato de a mãe ser uma ex-escrava e o sentimento de não se sentir "totalmente branca" devido às suas origens, resultado do preconceito que enfrentava desde a adolescência.
O enredo romântico surge com a aparição do Dr. Felipe, um advogado de 35 anos, educado na Itália.
O primeiro encontro é marcado pela tensão e atrevimento, quando ele a interrompe durante um comício abolicionista. Felipe, impressionado pela beleza e audácia de Elvira, inicia uma perseguição romântica, observando-a e confessando-se a seu irmão, Bernardo, que é um grande fã do romance da A Escrava Isaura. No entanto, a relação é abalada por um segredo: Felipe estava envolvido em uma missão jurídica que o colocava contra os pais de Elvira no tribunal.
Considerações Finais.
"Elvira, Filha de Isaura" cumpre o papel de levar o universo de Bernardo Guimarães para a efervescência social do final do século XIX. A narrativa foca na "descendência de Isaura", mostrando que a luta pela liberdade não terminou com a alforria da mãe, mas se transformou em uma luta pela igualdade social e pelos direitos da mulher.
O romance entre a ativista brasileira e o advogado estrangeiro, juntamente com as tramas de rivalidade (como a de Tereza, que tenta expor as origens de Elvira) e conspiração, prometem prender o leitor. O livro honra o legado de A Escrava Isaura ao apresentar uma heroína igualmente complexa e destemida, cujos desafios não são mais o cativeiro físico, mas o preconceito social e o machismo de uma sociedade em transição.
É uma leitura recomendada para fãs do clássico que desejam ver a continuação da luta pela liberdade através dos olhos da nova geração.
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